sábado, 16 de outubro de 2010

Foto-legenda




 Exemplos de foto - legenda
 
Depois de ajudar na colheita de feno, Amber Barlow, de 16 anos, brinca em um balanço junto com amigos no rancho de 1,6 mil hectares da FLDS em Pony Springs, em Nevada. Os membros da igreja, mesmo as crianças pequenas, devem ajudar nas tarefas - semear, colher, enlatar - durante o ano todo.
Foto de Stephanie Sinclair
 Extraido do site (http://jcasadei.wordpress.com/tag/foto-legenda)
 
 

Entrevista

Para o professor José Marques de Melo a entrevista e um relato que privilegia a versão de um ou mais protagonistas dos acontecimentos. Não se confunde com a técnica de “apuração” dos fatos. Configura uma espécie de relato de alteridade, dando “voz” aos agentes da cena jornalística, assumindo empaticamente o papel de “intérprete” do receptor.

(MARQUES DE MELO, José. Gêneros Jornalísticos: conhecimento brasileiro. In: MARQUES
DE MELO, José; ASSIS Francisco (Orgs). Gêneros Jornalísticos no Brasil. São Bernardo do
Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2010.p. 23-41.)

Exemplos de Entrevista

Entrevista de Prof. Carlos ao Portal "Teia de Notícias" 

 Divulgação

Carlos Nascimento, candidato ao Governo da Bahia.
Por Nádia Conceição
O candidato mais jovem na disputa do cargo de governador do Estado da Bahia é Carlos José Bispo do Nascimento, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) . Com 33 anos, é soteropolitano e nasceu no dia 19 de março de 1977. Está solteiro e é formado em pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
De forma tímida - já que tinha que estudar e trabalhar na época - iniciou, em 2006, sua trajetória política dentro do espaço da universidade participando de pequenos movimentos grevista da universidade. Mais a frente, participou ativamente de um coletivo, que inicialmente era dos estudantes dos cursos de saúde da Uneb, no qual discutia e fazia intervenções quanto o papel da educação dentro da universidade. A partir daí, não parou mais e começou a conhecer e lutar pela educação.
No coletivo, participou de mobilizações, intervenções, greves. Apoiou movimentos na universidade, assumiu a direção dentro da executiva, que foi a executiva baiana de pedagogia e da nacional. Atualmente, atua como professor da rede municipal de ensino da cidade de Camaçari (a 45 km de Salvador). O jovem, que torce pelo Esporte Clube Bahia e se emociona quando lembra do seu filme preferido na infância, "Os Saltimbancos Trapalhões", defende o projeto de mudança radical proposto pelo PSTU, principalmente nas áreas de educação e saúde. Ele reclama da discriminação que sofre da imprensa, diz que vai aumentar o salário mínimo e revogar o Reda, caso seja eleito. Confira:
Teia de Notícias: Quem é Carlos Nascimento?
Carlos Nascimento: Eu sou um professor, uma pessoa alegre, divertida e que gosta de viver. Tenho uma preocupação social muito grande e gostaria, de fato, que os trabalhadores e trabalhadoras tivessem uma vida melhor, mais digna, já que trabalham tanto, produzem tantas riquezas para esse país, para esse Estado, e acabam não usufruindo nada delas. Só trabalham e são explorados, vivem em condições muito ruins, indignas, muitas vezes.
TN: Qual a sua visão do tratamento que a mídia dá aos candidatos aqui na Bahia?
CN: É discriminatória. A mídia não privilegia os partidos menores, e temos visto isso nessas campanhas. É claramente um verdadeiro boicote a algumas candidaturas, que eles atribuem como pequenas. Tanto a minha quanto a do candidato Sandro Santa Barbara (PSC). Praticamente não aparecemos na mídia, as pessoas falam, se queixam que não é mostrada a minha agenda nas agendas dos candidatos dos grandes jornais, mesmo a minha assessoria enviando-a todos os dias para a imprensa, mas não é divulgada, em virtude de ser uma candidatura pequena, de um partido pequeno. Mas não é só isso. É porque somos um partido que questiona essa ordem que é posta hoje, a de manutenção dos interesses dos grandes empresários, a manutenção da exploração e da alienação. Então, em virtude disso, somos um partido bastante atacado e uma forma de ataque é colocar de escanteio mesmo.
TN: Estratégias para driblar o “boicote”?
CN: Estamos fazendo as denúncias, nos poucos espaços que nós temos, como este aqui, do Teia de Notícias. Enfatizamos que não se trata de uma mania de perseguição. É, de fato, um boicote e outra forma de burlar esse movimento é continuar divulgando nossa campanha e propostas onde estivermos. Continuamos a conversar, a discutir com os trabalhadores e trabalhadoras, a nos reunirmos nos espaços que temos receptividade.
Sabemos da importância da mídia hoje em dia, pois hoje ela realmente age como formadora de opinião, mas nem por isso pararemos a nossa candidatura e nossa campanha em virtude de não termos espaços e, consequentemente, uma visibilidade, que deveria ser de todos os candidatos, não só a minha. Quando falo da questão de o espaço não ser democrático a todos, não estou falando apenas do PSTU, mas por todos os partidos que estão sofrendo esse tipo de boicote, de não aparecer, de não serem chamados para os debates, de não ter mandados parlamentares. O que acontece com isso é a negação do direito dos trabalhadores e das trabalhadoras de conhecerem todos os candidatos.
TN: Por que você se acha preparado para governar a Bahia?


CN: Para mim, não seria um governo só do Carlos Nascimento, mas um governo com perspectivas do trabalhador do Estado. Seria um governo de participação popular dos trabalhadores e do movimento negro na direção desse Estado e, consequentemente, no repasse das riquezas, das benesses que esse Estado proporciona.

TN: Quais suas principais propostas?
CN: Temos como eixo central da campanha a questão racial e da educação. Então, para nós, é crucial modificar a estrutura da Polícia hoje, pois ela serve para o extermínio da juventude negra nas periferias. Temos que mudá-la, tornar a polícia unificada e democratizada, e sob o controle dos trabalhadores. É um absurdo que a policia só sirva para reprimir e para matar a juventude negra. Então, essa é uma estrutura racista, essa seria uma de nossas propostas.
A solução dos problemas da educação, saúde e infraestrutura está em atacar aqueles que são beneficiados por eles. Aí, temos que pensar no fim das isenções dadas a essas grandes empresas e o não pagamento da dívida pública. A partir dessas duas medidas, estaremos contendo investimento, dinheiro para investir nos setores como educação, saúde e, consequentemente, proporcionar salários dignos ao trabalhador, ao professor, dá condição para que eles possam desenvolver um bom trabalho.
A questão da saúde seria resolvida com a realização de concursos públicos. Enfim, acabando com as isenções e concessões dos hospitais privados, pois é um absurdo que o Sistema Único de Saúde (SUS) funcione em um hospital privado, que o Estado pague a um hospital privado para atender gratuitamente, mas esse atendimento é visivelmente deficitário. O melhor seria investirmos em hospitais públicos e em sua ampliação, o que culminaria em um atendimento de qualidade aos trabalhadores do Estado.
TN: Qual seria sua primeira medida, se eleito governador, em outubro?
CN: Seria chamar os movimentos sociais para discutir quais as necessidades e as carências de todos os setores que temos hoje. A parceria do nosso governo seria apenas com os movimentos sociais de lutas e os trabalhadores e trabalhadoras do Estado. Apenas aceitaríamos alianças partidárias com partidos que estivessem de acordo com os nossos programas, consequentemente, os de esquerda.
Professor Carlos Nascimento, candidato a governador da Bahia pelo PSTU


TN: Você acredita que seria possível aumentar o salário mínimo no governo do PSTU?

CN: Essa é uma bandeira nossa. É possível sim, se pararmos de dar isenções fiscais e concessões. Para se ter uma ideia, a Ford, quando foi instalada na Bahia, não pagava impostos, teve suas tarifas reduzidas, juros menores, que a maioria dos trabalhadores pagavam. Até a terra planagem para instalação da empresa foi feita com o dinheiro do Estado, dinheiro dos trabalhadores, pois o dinheiro do Estado é o recolhimento dos impostos dos trabalhadores. Assim que terminarmos de modificar essa lógica, teríamos dinheiro, recursos suficientes para investir nesses setores e aumentar o número de empregos e também melhorar os salários. Defendemos também a redução da jornada de trabalho, pois com um salário digno o trabalhador precisa também ter um tempo para o ócio, descansar, se divertir, ter acesso à cultura, à arte e para viajar nos fins de semana. Hoje, o trabalhador trabalha de segunda a domingo.
TN: Como pedagogo, quais suas principais alterações na educação?
CN: Temos que pensar o que é priorizado hoje em dia. Não vemos os interesses da educação pública como prioridades. Com isso, não se tem também a priorização dos recursos para a área da educação, que implica a valorização do profissional, com melhores condições de trabalho. Para nós, do PSTU, a valorização do trabalho está relacionada com a melhoria das condições de trabalho para os profissionais de educação de todos os níveis, não uma melhoria de salários apenas para professores, mas também para o secretário, o vigilante, a cozinheira, o pessoal da limpeza. Pensar esse processo é pensar em acabar com as isenções, em concessões de escolas e universidades privadas, é discutir o ProUni, pois é dinheiro do Estado que vai para as universidades disponibilizarem vagas remanescentes e não a criação de novas vagas para estes estudantes, o que deveria ser feito. Se hoje se tem condições de dar recursos para universidades particulares, também temos condições de pegar esses recurso e investir nas universidades públicas. Aí, teríamos a ampliação de vagas, a melhoria nas estruturas que estão sucateadas.


TN: Qual o destino dos funcionários do governo aprovados pela modalidade do Reda (Regime Especial de Direito Administrativo)?

CN: Nós faremos a revogação total do Reda. O Estado precisa garantir que os trabalhadores do Reda sejam efetivados, não permitiríamos que eles fossem temporários, com pouco ou quase nenhuma garantia, pois eles não têm estabilidade, sem vários direitos trabalhistas, o que acaba gerando desestímulos para trabalhar podendo sair a qualquer momento. Para nós, o tempo do Reda seria muito curto. Garantiremos que todos esses trabalhadores sejam efetivos e não temporários.
TN: Uma mensagem ao eleitor?
CN: Trabalhadores e trabalhadoras da Bahia: nessa eleição, há diversos candidatos, mas apenas dois projetos: um que garante a manutenção da burguesia, do grande empresariado, que por sinal financiam essas candidaturas. O outro projeto é o do PSTU, que defende incondicionalmente os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, negros e negras, um programa socialista e nacionalista, para que eles possam usufruir das riquezas do país. Essa é uma alternativa nacional. Portanto, para avançarmos no âmbito estadual é preciso avançar também nacionalmente, objetivando uma nação socialista e para todos. E acreditando nisso defendemos o programa de Zé Maria para presidente da República.
Extraido do site (http://pstubahia.blogspot.com/2010/08/entrevista-de-prof-carlos-ao-portal.html)




 

 

Marina Silva é entrevistada pelo Jornal Nacional





 Divulgação
 A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, foi entrevistada ao vivo nesta terça-feira (10) no Jornal Nacional pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. A presidenciável Dilma Rousseff (PT)  foi entrevistada na segunda-feira (9) e José Serra (PSDB) será ouvido na quarta-feira (11). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio.




Fátima Bernardes: O Jornal Nacional dá continuidade hoje à série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência em que nós abordamos questões polêmicas das candidaturas e o desempenho do candidato em cargos públicos que já tenha ocupado. Também o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo realizarão entrevistas nas próximas semanas. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou para hoje a presença da candidata do PV, Marina Silva. Boa noite, candidata. Muito obrigada pela presença.
Marina Silva: Boa noite, Fátima.
Fátima Bernardes: Bom. E o nosso tempo de 12 minutos dessa entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, a sua atuação na vida pública, como ministra, como senadora, foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A senhora não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como é que a senhora pretende convencer o eleitor de que a sua candidatura é para valer e que ela não é apenas uma candidatura para marcar posição nessa questão do meio ambiente?
Marina Silva: Em primeiro lugar, Fátima, chamando a atenção da sociedade brasileira para a relevância das coisas que a gente está vivendo hoje, e eu sempre penso da seguinte forma: até 2014, qual será a temperatura da Terra? Até 2014, quantas crianças ainda continuarão sem ter a chance de chegar sequer à oitava série? Até 2014, quantas pessoas serão soterradas pelas enchentes por falta de cuidado? E, até 2014, quantos produtos nós não perderemos em função da falta de infraestrutura? Quantas oportunidades nós não perderemos em função da falta de educação de qualidade? E então...
Fátima Bernardes: Quer dizer que a senhora acha que essa questão do meio ambiente passa por todos esses outros setores?
Marina Silva: Com certeza. A minha candidatura é para agora porque o Brasil não pode esperar. Todas essas questões que eu coloquei agora para você, Fátima, elas são uma emergência, uma emergência para o cidadão que fica na fila esperando horas e horas para poder fazer um exame, uma emergência para a mãe que quer ter dias melhores para o seu filho porque ela já não aguenta mais a vida dura que tem e uma emergência para o Brasil, que tem imensas oportunidades de se desenvolver com justiça social, de melhorar a vida das pessoas.
William Bonner: Agora, candidata, perdoe, a senhora é candidata do Partido Verde e, até este momento, apresenta-se na eleição sem o apoio de nenhum outro partido. Se a senhora não conseguiu apoio para formar uma aliança agora antes da eleição, como é que a senhora vai formar uma base de sustentação para governar o Brasil depois, dentro do Congresso Nacional?
Marina Silva: Olha só, Bonner, eu acho que para mim é até mais fácil, sabe? É mais fácil, pelo seguinte: porque eu fico olhando para a ministra Dilma e para o governador Serra e eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram que eles só podem repetir mais do mesmo, do mesmo quando foi o governo do presidente Fernando Henrique, que ficou refém do fisiologismo dos Democratas. E o presidente Lula, mesmo com toda a popularidade, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB.
William Bonner: Mas veja o raciocínio, o raciocínio que eu proponho...
Marina Silva: Deixe só eu completar meu raciocínio, por favor...
William Bonner: É que tem a ver com isso...
Marina Silva: Não, eu sei, eu sei, só para que a gente possa concluir. É, então, como eu estou dizendo que, se ganhar, eu quero governar com os melhores e já estou dizendo que é fundamental um diálogo entre o PT e o PSDB, estou dizendo que eu quero governar com a ajuda deles. Então eu vou compor uma base de sustentação já respaldada pela sociedade com essa ideia de que nós temos que acabar com a situação pela situação e com a oposição pela oposição e trabalhando a favor do Brasil. É assim que eu quero trabalhar. É isso o que eu estou dizendo e, pode ter certeza, quem pode estabelecer um ponto de união entre essas forças que não conversam e que nos seus oito anos de oposição ou de situação se confrontaram se chama Marina Silva.
William Bonner: A questão que eu ia colocar é a seguinte: se a senhora não conseguiu formar essa base de apoio agora, depois da eleição, uma base de apoio que se forme depois da eleição, não tem uma tendência maior ao tal fisiologismo que a senhora mesmo está criticando?
Marina Silva: Não tem, não tem...
William Bonner: Uma barganha de cargos federais...
Marina Silva: Não tem, Bonner, não tem. Sabe por quê? Porque existe muita gente boa em todos os partidos.
Fátima Bernardes: A senhora olhando para o seu partido, a senhora considera que o PV, ele tem quadros, olhando para os seus colegas, para governar o Brasil?
Marina Silva: Ele tem alguns quadros. Mas quem foi que disse que para governar você tem que governar apenas com os quadros de seu partido?
Fátima Bernardes: Não, eu estou perguntando porque ainda não há um acordo estabelecendo outras alianças.
Marina Silva: O presidente Lula teve de governar, inclusive, com quadros do PSDB. O PSDB trouxe quadros da socidade, da academia. Eu, quando estava no ministério do Meio Ambiente, por exemplo, eu peguei as melhores pessoas que estavam na academia, que já estavam na gestão pública, que estavam dentro, enfim, de ONGs, sim, mas as pessoas mais competentes. E quando precisei, toda vez que precisei, Bonner, de aprovar leis no Congresso, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, por exemplo, fundamental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, eu consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos, conversando com todos os partidos. É isso que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um olhar que coloque em primeiro lugar as necesssidades dos brasileiros, da saúde, da educação, da segurança pública, da infraestrutura.
William Bonner: Ok.
Marina Silva: O nosso país não pode mais esperar e perder tempo com essa briga que não nos leva a lugar nenhum.
William Bonner: Candidata, vamos falar então... A senhora mencionou a questão, o papel do partido político. A senhora declarou já em algumas entrevistas que deixou o governo Lula e deixou o PT porque discordava da maneira como era conduzida a política ambiental no governo. No entanto, se nós voltarmos no tempo até aquele período do escândalo do mensalão, a senhora não veio a público para fazer uma condenação veemente daquele desvio moral de alguns integrantes do PT. A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: o seu silêncio naquela ocasião não pode ser interpretado de uma certa maneira como uma conivência com aqueles desmandos?
Marina Silva: Não, Bonner, não foi conivência, e também não foi silêncio. É que, lamentavelmente, todas as vezes em que eu me pronunciava eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar a minha voz. Mas eu falava.
William Bonner: A senhora diz dentro do governo?
Marina Silva: Dentro, fora.
William Bonner: Dentro do partido?
Marina Silva: Publicamente, nas palestras que eu dava, eu sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado, e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades.
William Bonner: Mas, ministra...
Marina Silva: Agora, o que eu dizia sempre, Bonner, era uma coisa, é o seguinte: é que nem todos praticaram erros. E eu não pratiquei. Conheço milhares de pessoas que não praticaram o mesmo erro. E dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Agora, para combater contra a falta de prioridade para as questões ambientais, aí eu era uma minoria. E foi por isso que eu saí. Eu saí porque não encontrava o apoio necessário para as políticas de meio ambiente que façam esse encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais.
William Bonner: No entanto, o seu desconforto, vamos dizer assim, o seu desconforto ético com o mensalão não foi suficientemente forte para levá-la a deixar o cargo de ministra.
Marina Silva: Foi forte, sim, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas ideias que eu defendia, isso eu achava que não tinha mais tempo.
William Bonner: E como a senhora analisou...
Marina Silva: Sabe por quê? Porque é possivel, Bonner, sabe, juntar as duas coisas. Existe uma ideia dentro do governo, dos demais partidos, na sociedade, que meio ambiente e desenvolvimento são incompatíveis. E eu conheço muitas empresas que já estão fazendo da defesa do meio ambiente uma grande oportunidade para gerar emprego, para gerar melhoria de vida das pessoas. E posso te dizer uma coisa: toda a vez que as pessoas me dizem ‘mas Marina, as pessoas não entendem isso que você está falando’, eu digo: elas entendem sim, entendem, Fátima. Aqui no Rio de Janeiro...
William Bonner: Só uma coisa, candidata.
Marina Silva: ...quando as casas foram...
William Bonner: Candidata, me permita só uma coisa.
Marina Silva: Não, só concluindo Bonner.
William Bonner: Eu peço para interromper porque em nome do público...
Marina Silva: Isso, tá bom, tá bom.
William Bonner: Porque a pergunta que eu lhe dirigia era sobre um momento muito especifico da história e eu queria que a senhora tratasse dessa questão polêmica e não fosse para outro assunto. Eu estou consumindo 30 segundos da entrevista para fazer esse esclarecimento e eu lhe devolverei para a entrevista. Eu só queria que a senhora esclarecesse para mim qual foi e de que maneira a senhora viu a saída de alguns colegas seus então de PT, alguns, inclusive, fundadores do partido, que deixaram o partido indignados na época do mensalão, chorando. Como a senhora viu a ação deles, que não foi a ação que a senhora teve naquela ocasião?
Marina Silva: Bem, eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção e acho que a corrupção, Bonner, é o pior câncer da sociedade. E ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim, ser honesto é uma condição do indivíduo. Qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, ela tem que ser uma pessoa honesta, seja como político, como professor, como dona de casa, como empregada doméstica. A pessoa tem que ser honesta. Agora, naquele momento em que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo, mas não por ser conivente. Agora, tem uma coisa que a gente precisa entender: combater a corrupção é uma luta constante. Como é que a gente combate a corrupção? Com transparência, permitindo que as instituições funcionem, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, criando ferramentas de controle dentro do próprio governo, não permitindo que as coisas vão primeiro se consolidando antes de você fazer o combate necessário. Você tem que identificar durante o processo e fechar a torneira da corrupção quando ela está acontecendo. É isso que precisa ser feito.
Fátima Bernardes: Candidata, vamos abordar, então, um outro tema. Muita gente do governo e fora dele se queixava de que, durante a sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, a liberação de licenças ambientais, elas estavam muito lentas, e que isso, licenças ambientais para obras de infraestrutura, e que isso atrapalhava o desenvolvimento. Como é que a senhora enxergava essas críticas de que essa demora possa ter atrasado essas obras?
Marina Silva: Olha, naquela época até com uma certa naturalidade. Sabe por quê? Porque o ministério estava todo desestruturado e eu tinha que fazer concurso, e eu tive que criar várias diretorias e coordenadorias. Só que, quando nós começamos a arrumar a casa, aumentaram significativamente as licenças. No governo anterior, era uma média de 145 licenças por ano. Na minha gestão, foi de 265 licenças por ano. Agora, uma coisa eu posso te dizer: é possível aperfeiçoar o licenciamento? É possível aperfeiçoar. E com esse aperfeiçoamento você vai viabilizar com mais agilidade, sem perda de qualidade, a infraestrutura do Brasil, que hoje, de fato, está colapsando. Nós temos problemas com os aeroportos, nós temos problemas em relação a estradas, nós temos problemas em relação a energia, tudo isso pode ser oferecido para a sociedade compatibilizando duas coisas: meio ambiente, melhoria da vida das pessoas e o desenvolvimento que o Brasil precisa.
Fátima Bernardes: Quer dizer, nesse caso, a senhora está dizendo que no caso da senhora estando no governo, essa lentidão, ela, por exemplo, não vai provocar esse atraso ainda mais ou agravar ainda mais esses gargalos que a senhora citou, econômicos, e provocar, por exemplo, no setor energético, um risco de um novo apagão por demora na liberação dessas licenças?
Marina Silva: De jeito nenhum. Nós vamos trabalhar com o sentido de urgência que esse país tem para a sua infraestrutura, tanto em aeroportos como na questão da energia, das estradas, tudo o que o Brasil precisa para se desenvolver, Fátima. E vamos fazer isso sem negligenciar os cuidados com o meio ambiente, mas tendo a clareza de que o desenvolvimento do nosso país melhora a vida das pessoas. Sabe como melhora a vida das pessoas? Quando aquela família, que muitas vezes não tem como conseguir um emprego, começa a conseguir um emprego. Quando aquela mãe que não teve uma chance na vida, que é uma mulher pobre, não teve uma chance na vida, ela sabe que, se tiver uma escola melhor, o seu filho pode ter dias melhores. Eu sei o que significa educação, porque foi com a educação que eu consegui entrar pela porta da frente no Brasil.
William Bonner: Candidata, a senhora tem 30 segundos para se dirigir ao eleitor e pedir a ele o seu voto, dando a ele a última mensagem. Por favor.
Marina Silva: Bem, primeiro eu quero agradecer a Deus por estar aqui, porque eu sei que esse país é um país maravilhoso. Só num país como o Brasil, com a democracia que temos, é possível uma pessoa que nasceu lá na Floresta Amazônica, que foi analfabeta até os 16 anos, que teve que passar por várias dificuldades de saúde, pode chegar aqui na condição de se colocar como a primeira mulher de origem humilde para ser presidente da República. Esse Brasil já conseguiu restaurar sua democracia, teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação.
William Bonner: Obrigado, candidata. Muito obrigado pela sua participação aqui, ao vivo, no Jornal Nacional.
Marina Silva: Eu é que agradeço.

Extraido do site (http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/08/marina-silva-e-entrevistada-pelo-jornal-nacional.html)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por que a crítica e o publíco nunca se entendem?

Celso Sabadin, jornalista e crítico de cinema.
Por Fábio Rocha

"Por que a crítica e o público nunca se entendem ? Por que quando a critica fala bem o filme acaba sendo um fracasso de bilheteria e quando e sucesso de bilheteria é grande, a critica fala mal." Este foi o tema abordado por Celso Sabadin, jornalista, escritor e critico de cinema, através de uma conferência, durante a Mostra de Cinema Conquista ano 6, no Teatro Gluber Rocha, na ultima quinta-feira 7.

Sobre a Mostra de Cinema, o critico se revela impressionado pela dimensão do evento e a participação das pessoas.

Sabadin alerta, para aqueles que pretendem seguir a carreira de critico que " o critico de cinema tem que ser autodidata. Sua base, teoricamente, teria de ser o jornalismo, mas nem sempre isso acontece, pois na acadêmia não existe uma cadeira para o critico de cinemmatográfico. Então e preciso ler muito, fazer cursos e buscar aperfeiçoamento".

Celso destaca que o olhar crítico deve estar desprovido de preconceitos. A analíse dos filmes deve se fundamentar naquilo que o filme propõe, filmes artisticos versus filmes comerciais. Pode-se compreender que o cinema comercial não deve ser posto de forma inferior ou superior aos filmes artisticos e vice versa.

A Mostra de Cinema Conquista continua até no sábado, 09, com confêrencias, lançamentos de livro, exposições, oficinas e exibição de filmes no Cine Tenda Vila Serrana 3, na quadra esportiva; no Cine-cidadão Itinerante, nos bairros Kadija, Jurema e Urbis 5 e no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.

Fotos Fábio Rocha

Camilo Aggio

Redes Sociais na Politica


O uso das novas tecnologias da comunicação na propaganda eleitoral, foi o tema abordado pelo marqueteiro, professor e pesquisador Camilo Aggio, em uma entrevista coletiva concedida aos estudantes do II Semestre de Comunicação Social da UESB, na manhã de quinta-feira, 21/10, em uma das salas do modulo acadêmico II.

Aggio destaca "Eu não consigo enxergar desvantagens das campanhas, as chamadas campanhas online para a sociedade civil, para o cidadão na medida que grande parte da utilização, que se tem feito de recursos e ferramentas ligadas a internet por parte dos candidatos acaba por promover um maior fluxo de informação politica, ao meu ver relevante no que diz respeito a projetos a posicionamentos não obstante isso também proporciona que os candidatos sejam mais submetidos ao crivo e a critica dos eleitores."

A entrevista seguiu com um tom bem-humorado. Aggio respondeu às perguntas de cerca de 8 estudantes.

Aggio demostrou confiança, em relação ao uso das redes sociais na propaganda eleitoral.
Em seguida quando questionado sobre o que realmente havia sido liberado, o pesquisador afirma."Tudo é permitido na internet agora, a uma pequena restrição no que diz respeito ao web site esse sim precisa ser registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e 48 horas antes das eleições eles tem que sair fora do ar. Mas, as redes sociais simplesmente foram entendidas, como um um fórum aberto. Cuja liberdade de expressão é a tônica maior e não deve ser legislado, não há legislação sobre isso a não ser sobre a questão do anonimato do insulto, caso um candidato se sinta difamado, ai sim ele pode pedir direito a resposta, mas a legislação entende, que a internet e como uma praça publica, onde todos falam o que acham que devem falar nos limites razoáveis, respeitando a liberdade do outro." 

Por Fabio  Rocha, Jobeslane, Marla






Dia Internacional do Meio Ambiente


Comemorado em 5 de junho, o Dia Internacional do Meio Ambiente é uma boa data para nos perguntarmos: nosso padrão e nível de consumo são sustentáveis?

No Brasil, ao lado de uma parcela significativa de consumidores com um padrão de consumo dispendioso, comparável aos dos países ricos, temos uma maioria que, para sobreviver, consome pouco, mas que também persegue hábitos de consumo insustentáveis. Dessa forma, as políticas de consumo sustentável no Brasil devem estar relacionadas, em primeiro lugar, com a eliminação da pobreza, ou seja, elevar o piso mínimo de consumo daqueles que vivem abaixo de um padrão de consumo que garanta uma vida digna. Ao mesmo tempo, devemos mudar os padrões e níveis de consumo, evitando a concentração de renda, e promover um novo estilo de vida mais sustentável.

Ainda há uma dificuldade em relacionar os problemas ambientais aos nossos hábitos de consumo cotidianos. Todos nós brasileiros somos preocupados com a preservação da floresta amazônica, mas não pensamos nela na hora de comprar móveis ou madeira para construção. Por outro lado, muitos consumidores são conscientes de alguns impactos ambientais de seus hábitos de consumo, mas geralmente não tem informação sobre o que fazer. Por exemplo, fazem a separação do lixo, mas poucos municípios oferecem a coleta seletiva.

O Idec gostaria de colocar em debate a gestão de resíduos sólidos, ou seja, o que faremos com o volume crescente de lixo que geramos todos os dias. Entendemos que o princípio para esse debate é a co-responsabilidade, ou seja, a responsabilidade sobre a gestão dos resíduos sólidos deve ser compartilhada pelo poder público, pelas empresas e pelos consumidores.

O Brasil ainda não possui uma política nacional de resíduos sólidos, assunto discutido há décadas pelo legislativo e pela sociedade civil. Na visão do Idec e da Adocon, seguindo o princípio da co-responsabilidade, a Política Nacional de Resíduos Sólidos deve prever a Responsabilidade Estendida do Produtor.

Extraido do site (http://www.adocontb.org.br/index.php?codwebsite=&codpagina=00014648)






BDRA-45-Jardineiras fiéis

Maria Guimarães   Revista Pesquisa FAPESP - São Paulo, SP   julho 2009

Quando andava por uma floresta na Mata Atlântica e viu a polpa de um fruto de jatobá aberto ser devorada por formigas, o biólogo Paulo Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), começou a duvidar da noção difundida de que esses insetos sociais têm um papel desprezível na ecologia das sementes. Quase 15 anos depois, o grupo de pesquisa imerso na intimidade das relações entre plantas e formigas mostra que os pequenos animais não só arrastam as sementes para locais mais propícios como as limpam, facilitando a germinação. "A dispersão de sementes nos trópicos é muito mais complexa do que se achava", comenta Oliveira.

Quase todos os holofotes dos estudos sobre ecologia de dispersão de sementes estão voltados para aves, macacos e outros vertebrados atraídos pelos frutos coloridos e com polpa saborosa de nove entre dez espécies de árvores e arbustos de grande porte. Esses animais carregam os frutos por grandes distâncias e lançam as sementes ao solo. Se o fruto cai por acidente, ele ainda pode estar quase intacto, mas mesmo depois de passar pelo sistema digestivo muitas vezes ainda resta um bom tanto de polpa.

O que acontece no chão, entretanto, passou praticamente despercebido até Oliveira fincar aí um dos fios condutores de seu grupo de pesquisa. Um dos produtos mais recentes vem do doutorado de Alexander Christianini, agora professor no campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFScar). Ele e Oliveira mostram que no Cerrado de Itirapina, no interior de São Paulo, formigas de cinco gêneros recolhem as sementes que chegam ao chão. Em artigo deste mês na Oecologia, os biólogos sugerem um papel importante para as formigas depois que as aves transportaram as sementes para bem longe da árvore-mãe: elas fazem o serviço mais detalhado de jardinagem. 

Aves e macacos em geral depositam as sementes debaixo de alguma árvore. Os restos de polpa então atraem as formigas, que levam nacos para dentro do formigueiro. "A semente fica limpinha no chão da floresta", conta Oliveira, "impedindo que fungos se instalem e acabem por matar o embrião da planta". Além disso, algumas formigas carregam as sementes até o formigueiro, que o pesquisador descreve como "uma ilha de nutrientes", já que ali estão pedaços descartados de plantas e restos de formigas mortas e outros insetos.

O jatobá (Hymenaea courbaril) despertou a curiosidade do pesquisador. Num experimento, com colegas da Uiversidade Estadual de São Paulo em Rio Claro e da Universidade Federal de Mato Grosso, mostrou que 70% das sementes limpas pelas formigas brotaram, o que só aconteceu com 20% das que não foram tratadas pelas pequenas jardineiras. De 1995 para cá, essa linha de pesquisa deu origem a quatro doutorados que revelaram que essa relação é bastante generalizada na Mata Atlântica e no Cerrado.

A bióloga Inara Leal mostrou que as formigas-cortadeiras, que incluem as saúvas, também têm seu lado jardineiro. Quem vê a longa fileira, quase uma autoestrada em miniatura, de formigas levando nas costas pedaços de folhas e flores teme pelo destino da planta saqueada. Não é à toa, uma única colônia de saúvas pode coletar 30 quilogramas de vegetação num dia como adubo para os fungos que cultivam e lhes servem de alimento. Elas são capazes de deixar, em poucas horas, um arbusto frondoso reduzido a um graveto seco, mas o importante para a bióloga é que as cortadeiras também carregam frutos e sementes. Inara, que depois do doutorado na Unicamp se tornou professora na Universidade Federal de Pernambuco, observou que as saúvas Atta sexdens são atraídas pelo arilo amarelo, um apêndice grudado às sementes da copaíba (Copaifera langsdorffii), uma árvore comum no Cerrado e na Mata Atlântica que tem sabiás-laranjeiras e jacus como principais dispersores. As saúvas carregam as sementes até 10 metros, retiram o arilo nutritivo e muitas vezes chegam a quebrar o revestimento duro da semente, o que também ajuda na germinação, segundo artigo publicado em 1998 na Biotropica. O mesmo acontece com outras plantas típicas do Cerrado.

Presas fáceis - Contemporâneo de Inara no laboratório de Oliveira, Marco Pizo se concentrou sobre interações entre plantas e formigas na Mata Atlântica e mostrou que o arilo nutritivo vermelho em torno das sementes da canjerana (Cabralea canjerana) atrai formigas carnívoras. "Para as formigas carnívoras os frutos ricos em proteínas e gorduras são como insetos que não brigam, não mordem e não saem correndo", compara Oliveira. Pizo, agora na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, espalhou sementes com e sem polpa pelo chão da floresta, protegidas por pequenas gaiolas para evitar que fossem recolhidas por animais maiores. Ficou claro que as formigas preferem as sementes com polpa (71% da parte vermelha é gordura) e que essas sementes germinam muito mais depressa depois de semeadas pelos pequenos insetos, conforme artigo destacado na capa do American Journal of Botany em 1998.

Provado que as formigas transportam sementes, restava verificar se essa dispersão é direcionada ou aleatória. Durante o doutorado com Oliveira, Luciana Passos investigou as relações entre plantas e formigas na mata de restinga da Ilha do Cardoso, no litoral sul paulista. Parte da Mata Atlântica, essa floresta é menos exuberante por crescer em solo menos rico e mais arenoso. Ela espalhou pedaços de sardinha pela ilha para atrair formigas carnívoras, que a conduziram de volta aos ninhos - 21 deles.

Em artigo publicado em 2002 no Journal of Ecology, Luciana conta o que acontece com os frutos ricos em óleo da árvore Clusia criuva, ou clúsia, que produz numa estação por volta de 5.800 frutos com, ao todo, 25 mil sementes. Boa parte delas (83%) acaba nas fezes de 14 espécies diferentes de aves. A pesquisadora viu que as sementes que caem ao chão são transportadas por até 10 metros pelas formigas Odontomachus e Pachycondyla, carnívoras da subfamília das poneríneas, que "têm uma picada dolorida como se fossem marimbondos", conta Oliveira. 

Mas a história não acaba aí. Luciana investigou mais a fundo e viu que essas formigas removem 98% das sementes que chegam às fezes das aves ainda não completamente digeridas. A bióloga então contou os jovens brotos de clúsias e encontrou um número desproporcional junto aos formigueiros - o dobro do que viu no resto da mata. Além disso, ela manteve o censo de plantas jovens ao longo de um ano e viu que ao redor dos formigueiros elas têm chances significativamente maiores de sobreviver. Luciana mandou amostras desse solo para análise no Instituto Agronômico de Campinas e verificou que ele é mais rico em nitrogênio e potássio do que o resto da floresta, graças aos detritos acumulados pelas formigas. 

O mesmo acontece com a maria-faceira (Guapira opposita), cujos frutos pretos de cabo vermelho atraem aves como o araçaripoca e a saíra-sete-cores e têm alto teor de proteínas (28%), de acordo com artigo de 2004 na Oecologia. As formigas Odontomachus carregam as sementes por até 4 metros e em torno de seus ninhos se aglomeram brotos.

O grupo da Unicamp desenvolveu um sistema que mede o quanto uma estaca penetra no solo e assim mostrou que  as escavações dos formigueiros deixam a terra à sua volta muito mais fofa, além de mais rica em  potássio, fósforo e cálcio.

Alexander Christianini deu um passo além e demonstrou que o desmatamento do Cerrado invalida o efeito positivo das formigas na ecologia das plantas. Já se sabe que o miolo das ilhas de floresta é mais fresco e úmido do que a fronteira com áreas desmatadas. O pesquisador mostrou que as formigas grandes também são mais comuns no interior do Cerrado, onde o solo é mais rico em nutrientes e mais macio. Ao longo de um ano de monitoramento, 92% das colônias de formigas do interior da mata persistem, ante só 30% nas bordas. Como ali também, a exemplo do que acontece na Mata Atlântica, as plantas germinam melhor junto aos formigueiros, jovens plantas nas bordas têm cerca de 0,2% de chances de sobreviver ao primeiro ano de vida. Esses resultados deixam claro que o desmatamento tem efeitos nocivos  tanto sobre as formigas como sobre as plantas, e que esses efeitos so somam. Mas com seu talento de jardineiras as formigas podem ajudar a recuperar uma floresta alterada, contribuindo para a germinação das sementes.

O grupo da Unicamp vem descobrindo muito mais sobre as funções ecológicas desses soldados e operários em miniatura que vivem em grupos de milhões. Algumas plantas produzem substâncias para atrair formigas, que retribuem servindo como tropas de defesa. É o caso do pequi (Caryocar brasiliense), planta típica de cerrado que dá frutos muito apreciados na culinária da região central do país. As formigas se deliciam com o néctar que brota de glândulas nos botões das flores do pequi e atacam outros insetos, como lagartas. Sebastián Sendoya, aluno de Oliveira e André Freitas, mostrou que as borboletas Eunica bechina, especializadas em depositar seus ovos nas folhas do pequi, sobrevoam as plantas e detectam formigas predadoras. O trabalho, publicado este mês na American Naturalist, indica que a sofisticação visual das borboletas lhes permite pôr ovos em folhas seguras e até reconhecer formigas inofensivas.

Tudo isso, e mais, está no que Oliveira considera o trabalho mais importante de sua vida: o livro The ecology and evolution of ant-plant interactions, que ele escreveu em parceria com seu colega mexicano Victor Rico-Gray. Publicado em 2007 pela Chicago University Press, o livro é uma ampla revisão de todas as interações ecológicas que se conhece entre formigas e plantas. "As pessoas dão mais importância aos vertebrados porque são os animais que se enxerga com mais facilidade", protesta o biólogo da Unicamp, "mas na Amazônia o peso seco de invertebrados é quatro vezes maior do que o de vertebrados". E as formigas, cujas colônias podem chegar a milhões de operárias, são os mais numerosos entre os invertebrados.

Extraido do site (http://www.premioreportagem.org.br/article.sub?docId=31190&c=Brasil&cRef=Brazil&year=2010&date=julho%202009)









Reportagem

Reportagem – Matéria com grande centimetragem, cobrindo integralmente determinado assunto. 
 (Manual de Redação do Globo)

José Marques de Melo (1994, p. 65) acredita que a reportagem “é o relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que são percebidas pela instituição jornalística”. Ainda que tenha sido conceituada, como dito, originalmente para o jornalismo impresso, esse gênero é adotado por todos os meios de comunicação como uma ferramenta para ampliação de informações em conteúdo, seja nos meios eletrônicos convencionais, digitais ou impressos.

                          (MELO, José Marques de. A opinião no jornalismo brasileiro. 2. ed. Petrópolis:Vozes, 1994.)

Glossário de Jornalismo

Box – Recurso editorial que se reveste de forma gráfica própria. Um texto que aparece na página entre fios, sempre em associação íntima com outro texto, mais longo. Pode ser uma biografia, um diálogo, uma nota da redação, um comentário, um aspecto pitoresco da notícia.

Foto-legenda – Pequena matéria, de no máximo 20 linhas, usada para explicar ou destacar foto.

Legenda – Linha de texto colocada sob a foto. Artifício adicional para destacar o tema da matéria.

Manchete - É o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar: a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.


Título – Frase usada no alto da matéria para chamar a atenção do leitor (veja manchete).


(ROSEANE Ribeiro, Maria:glossário de jornalísmo,pag.1-18)


NOTA

O Gênero Nota Jornalística "é uma notícia que se caracteriza pela brevidade do texto,ou pequena notícia que se destina a informação rápida"(Andrade e Medeiros).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Exemplos de Nota

 Mostra de Cinema Conquista
                                    Por  Fábio Rocha

Na ultima, terça-feira, 05, teve inicio a Mostra de Cinema Conquista 6° edição. Que teve inicio na terça a noite no centro de cultura Camillo de Jesus Lima, onde cerca de 500 pessoas, assistiram aos filmes.

A Mostra continua até dia, 09, sábado com exposições, conferências, lançamentos de livros, oficinas e exibições de gratuitos de filmes no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima e praças publicas dos bairros Urbis 5, Kadija, Vila Serrana 3 e Jurema.




A copa é nossa (DN 01/06/2009)

E finalmente saiu o anúncio. Fortaleza é uma das 12 cidades brasileiras que terão a honra e o prazer de sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

As outras 11 escolhidas foram Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Curitiba/PR, Manaus/AM, Natal/RN, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Paulo/SP. Agora, um lembrete: as subsedes ainda podem ser alteradas se não cumprirem com o planejamento da Fifa. Quem não respeitar o que foi entregue no caderno de encargos pode sair.

http://linguaportuguesafp2009.blogspot.com/2009/06/nota-jornalistica.html